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Você sabe como passar pelo luto?

Falar da morte normalmente é complicado, mas é inegável que ela está presente na vida de todos nós, para alguns mais cedo, de formas prematuras ou trágicas, para outros no seguimento dos ciclos naturais da vida. Da forma que for, sempre é difícil entender e aceitar viver essa experiência.
A Psicóloga Gabriela Paim Bossler, profissional conveniada ao Plano Asbaf, explica o período do luto e ressalta a importância em aprender a lidar com essa dor.

Durante muito tempo a morte foi vista como um processo natural, mas com o passar do tempo foi se transformando em um tabu e as pessoas geralmente se encontram despreparadas para lidar com a finitude humana. Os conceitos de morte atualmente sofrem influência de diferentes culturas e crenças, são abordados de maneira singular, na tentativa de entender, explicar ou até mesmo de minimizar a dor.

O luto é uma reação normal a perda, um conjunto de sentimentos e emoções que necessitam de um tempo para serem elaborados e resolvidos, e que não podem ser apressados, seja a perda física ou simbólica. Pode-se observar o luto, na perda por morte das pessoas amadas, rompimentos de relacionamentos, morte de um animal de estimação, perda de um trabalho importante, de objetos significativos, entre outros. Seja a perda física ou simbólica, em ambos os casos é necessário um período para que a pessoa possa elaborar os sentimentos gerados com essa situação.

A forma de enfrentar o processo de luto é singular, depende dos recursos internos do indivíduo, do repertório relacionado a soluções e enfrentamento de problemas difíceis, das cognições e crenças sobre perdas, das perdas sofridas ao longo da vida, da capacidade de tolerar frustração, dos recursos emocionais, da resiliência, entre outros.

Alguns profissionais reconhecidos, também têm formas de explicar o processo do luto. Entenda!

John Bowlby, psicólogo britânico, afirma que o luto passa por quatro fases, o primeiro é o entorpecimento, havendo “estado de choque” e negação da realidade; A segunda fase é o anseio, desejo de trazer a pessoa de volta; Na terceira fase caracterizada pelo desespero e desorganização, a pessoa pode experimentar o sentimento de culpa, ansiedade, raiva, tristeza, abandono, incapacidade, entre outros; na última fase, a da reorganização, é quando as pessoas conseguem retornar as atividades normalmente, reorganizando o comportamento em relação ao objeto perdido e sua relação com novos objetos.

Elisabeth Kübler-Ross, diz que para o luto ser assimilado não há outra forma senão o vivenciando. Ela diz que existem cinco estágios no processo de aceitação da morte e vivência do luto, sendo elas, a negação, a raiva, a barganha, a depressão e a aceitação. Esses estágios não são experimentados necessariamente subsequentes um do outro e podem ser experimentados concomitantemente.

Vicente E. Caballo, Doutor em Psicologia, descreve o processo de luto em estágios como: a ruptura de antigos hábitos (hábitos e padrões, e a presença do falecido), início da reconstrução, busca de novos objetos de amor ou de amigos, e término da readaptação. Além das etapas do luto, existem uma série de tarefas básicas que são necessárias para elaboração do luto: a primeira está relacionada a aceitação da realidade da perda, reconhecendo os fatos, sua irreversibilidade, o impacto afetivo provocado. A segunda refere-se à necessidade de experimentar a dor da aflição a nível físico e emocional. A terceira está relacionada a adaptação ao meio social modificado pela ausência do falecido, e os novos papéis elencados a nova situação. A última, está relacionada ao distanciamento da relação emocional com a pessoa falecida, podendo utilizar essa energia para novas relações, ou fortalecer as relações já existentes.
Identificar o que é um luto saudável e um luto complicado é muito difícil, tendo em vista que as perturbações sofridas se apresentam em ambos os casos da mesma maneira. Mas um fator determinante para poder diferenciá-los é o tempo e intensidade dos sintomas.

O psicólogo pode ser procurado a qualquer momento do processo de luto, mas principalmente quando não é superado adequadamente, com objetivo de facilitar o processo de luto, priorizando o acolhimento e a escuta do paciente. Neste caso a terapia promove um espaço para expressar seus sentimentos e emoções, sejam eles positivos ou negativos, auxiliar e facilitar para que a pessoa consiga passar adequadamente por todas as fases do luto, visando melhor adaptação em relação a situação de perda.

"A dor é suportável quando conseguimos acreditar que ela terá um fim e não quando fingimos que ela não existe." Allá Bozarth-Campbell.